terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Um escritor com horas (in)certas | Perfil de Samuel Pimenta, por Mara Fontoura

Um escritor com horas (in)certas
Parte 6

2013, um passo em grande

Em Outubro de 2013, Samuel Pimenta foi o único escritor português a lançar um livro da Feira do Livro de Frankfurt, o Geo Metria. “Eu não fui à espera de vender milhares de livros, fui para divulgar o meu trabalho.” A presença na feira do livro valeu-lhe alguns convites e propostas para novos projetos. “Foi uma experiência muito rica, muito boa, abri algumas portas, em princípio, estarei no Salão do Livro de Paris, há possibilidade de ir ao Salão do Livro de Genebra. Se houver a oportunidade de repetir, repetirei.” 


Apesar de ser português, Samuel encontrou no Brasil a oportunidade de publicar o Geo Metria, livro que lhe valeu a presença em Frankfurt. “Muitas pessoas perguntavam-me: porquê a bandeira do Brasil? Eu sou português mas eu editei no Brasil, fazia todo o sentido ter ali aquela bandeira. Em Portugal as grandes editoras fecham as portas a quem está a começar”, explicou. 

Não indiferente à falta de reconhecimento em Portugal, Samuel lamenta a falta de um Ministério da Cultura e de um governo que abra portas aos projectos culturais, bem como de uma Sociedade Civil que os valorize. Depois da publicação do Geo Metria no Brasil algumas editoras portuguesas propuseram-se a editar o livro em Portugal. “O livro tem uma mensagem universal, é um livro que pode ser publicado em qualquer país. Faz sentido para mim publicar em Portugal, numa pequena editora que respeite o trabalho dos autores”, afirmou.

Com um caderno sempre por perto, onde vai escrevendo as ideias que surgem a qualquer momento, ainda que agora de forma mais comedida porque as responsabilidades profissionais assim o obrigam, são muitos os poemas, contos e até textos teatrais que Samuel guarda com a intenção de, quando for a hora certa, publicar. Viver da escrita não é um sonho, mas sim um objetivo bem traçado para o futuro. “Daqui a 50 anos imagino-me a olhar a minha biblioteca repleta de livros que li, de outros tantos para ler e, na secretária, o computador (ou outro aparelho que entretanto inventem para escrever) e algumas folhas com apontamentos do meu próximo livro.”

1 comentário:

  1. Gostaria de fazer uma rectificação ao vosso comentário, pois o Samuel Pimenta (que conheço pessoalmente) não foi o único autor português a ter lançado um livro na Feira do Livro de Frankfurt. Também estive presente como autora, embora não por Portugal. Infelizmente, os mídia portugueses nunca divulgam senão sempre os amiguinhos e/ou os rostos que aparecem nos écrãs. Apesar de receberem todas as informações sobre as minhas muitas participações em salões do livro internacionais como Paris, Genebra, Bruxelas, Luxemburgo, Saarbruecken, Frankfurt... e outros menos conhecidos), esses mesmos mídia (Expresso, Publico, Correio da Manhã, Sic, Rtp... e passo...) “ignoram” completamente e as mensagens são pura e simplesmente “eliminadas sem terem sido lidas”. Peço desculpa por utilizar este artigo que fala do Samuel Pimenta para fazer este comentário, mas às vezes é preciso aproveitar a ocasião para tornar públicas certas atitudes dos mídia em Portugal, de que o Samuel certamente também tem sido vítima. Dulce Rodrigues

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