segunda-feira, 17 de junho de 2013

Crowdfunding, mecenato colectivo

No seguimento do sucesso da campanha de financiamento colectivo para o livro "Nós, Vida", de Álvaro Cordeiro, a Livros de Ontem pediu ao Pedro Domingos, um dos responsáveis pela plataforma PPL, para reflectir um pouco sobre o papel do crowdfunding na cultura e no financiamento de livros. 
Resta-nos agradecer muito ao Pedro e a toda a equipa PPL por todo o apoio que nos tem dado no arranque dos nos projectos.

Esta foi a resposta:


O crowdfunding (financiamento colectivo, ou colaborativo) tem vindo a ganhar popularidade em Portugal, sobretudo em projectos de domínios criativos como álbuns musicais, documentários e... livros.

Quando o João Batista nos pediu para redigir um pequeno texto sobre crowdfunding, a primeira reacção foi: mas o João é que percebe do assunto pois passou não só por uma campanha (Livros de Ontem) mas por duas (com a edição do Nós, Vida). Na verdade, a plataforma é apenas um facilitador e o sucesso depende, na maior parte parte, do promotor e da sua iniciativa.

Se, como moderadores da plataforma PPL, aprendemos algo ao longo destes dois anos foi que para um projecto ter sucesso na angariação de fundos é necessário ter: um vídeo de apresentação sucinto e apelativo, uma mensagem clara com objectivos transparentes, uma divulgação intensa e bem planeada e... muita perseverança.

De facto, operacionalizar uma campanha de crowdfunding é extremamente exigente para o seu promotor. É necessário "vender" a ideia. É crucial ouvir muitos "nãos" (o mais certo) e, ainda assim, continuar a acreditar e a lutar. Mas sem esforço não se chega a lado nenhum. O João e a Livros de Ontem são um exemplo do que se consegue quando se acredita numa ideia e se tem a iniciativa para a por em prática.

Outra boa notícia é que esse esforço já compensou mais de 60 promotores e projectos crowd-financiados nestes últimos dois anos no PPL, a maior parte deles na área das indústrias criativas.
Se para projecto empresariais as formas de financiamento tradicionais são adequadas (ainda que mais restritivas nos últimos tempos), para projectos culturais as opções estão mais limitadas a patrocínios e mecenatos de empresas que, como sabemos, têm vindo a reduzir os seus orçamentos ano após ano.

É neste cenário que o crowdfunding surge como eventual alternativa/complemento. Se existir público suficiente e com interesse em determinados projectos, os mesmos ganham vida. Além do retorno financeiro (que as ferramentas tradicionais avaliam), esses apoiantes procuram outros tipos de retorno: social, cultural, pessoal, etc. E, além de validar um projecto, estão muitas vezes disponíveis para contribuir não só com fundos mas com divulgação e até colaboração operacional no próprio projecto. É, verdadeiramente, um esforço colectivo.

Numa altura em que algumas portas se parecem fechar, sobretudo na área cultural, cabe-nos organizar e juntar esforços, não ficando na expectativa que alguém (Estado?) venha assumir o nosso papel. Graças ao crowdfunding, só dependemos de nós e da comunidade que se identifica com a nossa visão. Juntos, conseguimos.

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